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EXCLUSIVO: Secretário abandonou viagem oficial com prefeito “para curtir” no Rio de Janeiro, diz denunciante

Teria ocorrido no meio do caminho de retorno à SC: “Desembarcou em SP e pegou um ônibus até o RJ para curtir o resto da semana por lá”.

Por Redação

22 de junho de 2022

às 13:19

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 Ao retornar de Brasília (DF), o secretário de gestão de governo da prefeitura de Rio do Sul (SC), Cristian Cae Seemann Stassun, teria abandonado a viagem oficial com o prefeito José Thomé (PSD) quando o voo fez escala em São Paulo (SP), descumprindo a finalização do itinerário que tinha passagens aéreas e auxílio de custo pagos com recursos públicos.

 Em vez de completar o seu destino em Florianópolis (SC), Stassun “pegou um ônibus até o RJ [Rio de Janeiro] para curtir o resto da semana por lá”, segundo denúncia encaminhada ao portal Alto Vale Agora.

 Com receio de represálias, a pessoa que faz a delação não quer ser identificada e terá o nome resguardado pelo sigilo da fonte.

 O caso, que teria ocorrido no ano passado, foi revelado por aplicativo de mensagem. Os textos enviados encontram-se arquivados.

 Em um dos trechos das conversas, antes de sugerir que o secretário interrompeu a viagem no meio do caminho para aproveitar no Rio a folga que tirou, a fonte supõe: “Cristian provavelmente teve sua passagem e diárias pagas com o dinheiro do povo”.

 Em outra parte, a mensagem reforça: “Aí no voo de volta, Cristian desembarcou na conexão e pegou um ônibus para o Rio do Janeiro”, não embarcando no “voo de retorno às 15:00 horas do dia 07/10 para Florianópolis”.

 De acordo com o calendário de 2021, o dia 7 de outubro antecedeu uma sexta-feira, ou seja, o final de semana já se aproximava.

 Somente oito meses depois, a revelação vem a público.

Aeroporto em Campinas, local que Stassun desembarcou, diz denunciante. (Fotomontagem: Alto Vale Agora/Internet)

 Apuração: Cristian não finalizou voo oficial com prefeito

 O Portal da Transparência revela que o deslocamento do secretário e do prefeito à capital federal entre 5 e 7 de outubro do ano passado realmente existiu, conforme apurou o Alto Vale Agora.

 Procurada, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que houve diversos agendamentos e compromissos oficiais no Planalto Central.

 O executivo respondeu que “Cristian Stassun retornou com o prefeito na mesma data”, mas – confirmando a delação da fonte -, admitiu: não foi até o destino, Florianópolis.

 O setor de comunicação reconheceu que ele somente realizou o percurso “de Brasília à Campinas (SP) no dia 7”. De lá, em vez de completar o percurso com Thomé até a capital catarinense, teria seguido “para compromisso particular”, limitou-se a dizer.

 No entanto, a resposta evidencia o que a escala da Companhia Azul, em Campinas, integrava: “Duas passagens de volta Brasília a Florianópolis” – e não uma delas apenas até São Paulo – ao custo de “R$ 3.864,39”.

Florianópolis: destino de passagem aérea paga a Cristian não foi cumprido. (Foto: Divulgação/Floripa Airport)

 O executivo municipal não detalhou quem autorizou o desvio da rota do secretário. O caminho que Cristian fez também é mistério. Não foi esclarecido se houve algum acerto para troca de data da passagem para a saída da região Sudeste. Também não foi dito de onde Stassun embarcou de volta à Santa Catarina, nem quantos dias ele ficou fora até retornar ao seu local de trabalho remunerado na prefeitura de Rio do Sul.

 Desperdício e privilégio?

 O fato levanta questionamentos: houve desperdício de dinheiro público pelo fato de Cristian Stassun não ter completado o percurso até Florianópolis ao lado do prefeito na mesma data, como previa o pacote de viagem? O valor pago – com dinheiro dos contribuintes – pelo trecho de São Paulo até Florianópolis foi perdido?

 A prefeitura destaca que a agenda particular do secretário correu “às suas custas”. Sem abordar possíveis implicações por causa da questão do descumprimento do roteiro – custeado com verba pública – a assessoria repassa: “Não houve gasto extra, de acordo com o Controle Interno”.

 Por outro lado, chama a atenção que Stassun não se encontrava em período de férias, segundo dados do Portal da Transparência. Mesmo assim, a folha de pagamento do mês seguinte (novembro de 2021) não tem nenhum desconto por dias não trabalhados, trazendo salário bruto de R$ 13.020,29.

 Diferentemente do controle esperado sobre servidores efetivos quando em deslocamento, haveria algum tipo de privilégio pelo simples fato de o secretário ocupar um cargo comissionado junto ao prefeito Thomé?

 Diante das dúvidas, fica aberto o espaço democrático para eventuais respostas da instituição e do próprio secretário de gestão de governo.

Folha de pagamento integral de secretário após desvio de roteiro no retorno de Brasília. (Captura de Tela: Portal da Transparência)

 Descompasso

 Originalmente, a viagem previa a ida de uma comitiva de quatro pessoas a Brasília. O objetivo principal seria uma “reunião na INFRACEA Aeroportos, sobre o Aeroporto Helmuth Baumgarten”, localizado em Lontras e de responsabilidade da prefeitura rio-sulense.

 Cristian Stassun teve sua passagem aérea emitida separadamente, com a partida no dia 5 e o retorno no dia 7 de outubro de 2021. Já o valor para pagar as despesas de deslocamento, hotelaria e alimentação aparece registrado no Portal da Transparência em seu nome e contemplando também José Thomé, mas que, em princípio, iria dia 5 e voltaria antes, dia 6.

 A emissão da compra da passagem do prefeito, por sua vez, aparece ligada a do procurador Jaison Fernando de Souza, administrador do aeródromo.

 O quarto integrante seria o assessor especial de governo, Graciano Bittencourt Ledra, também com emissão individual da passagem.

 No entanto, a “reunião da Infracea foi cancelada pois o diretor teve que realizar viagem ao Rio de Janeiro”.

 Por isso, Ledra e Souza acabaram não viajando “e suas passagens ficaram de crédito junto à companhia aérea. Porém, como outras agendas já estavam confirmadas, o prefeito José Thomé e o secretário Cristian Stassun mantiveram roteiro na capital Federal”.

Infracea é responsável pelo balizamento noturno no aeroporto em Lontras, obra anunciada por R$ 702 mil, ‘finalizada’ por R$ 1,4 milhão em meados de 2021 e que ainda tem “empenhos emitidos” de R$ 53,8 em 2022. (Foto: Infracea)

 Gastos e mais dúvidas

 O custo total da viagem informado pela prefeitura (“R$ 8.021,91”) não fecha com a conta feita pela nossa equipe com base nos próprios dados repassados pelo executivo.

 A assessoria diz que as duas passagens de ida e volta de Cristian Stassun e José Thomé custaram R$ 3.864,39. O valor inclui um adicional de R$ 1.137,65. É que houve “uma alteração da data da passagem de José Thomé (de retorno de 6 para 7 de outubro)” motivada “por novas agendas na capital federal”.

 Nenhuma menção é feita sobre eventual troca de data para Cristian, que desembarcou em São Paulo.

 Já as despesas de hospedagem, alimentação e transporte terrestre em Brasília (sem as passagens) consumiram outros R$ 3.807,66.

 Portanto, a soma resulta em gastos um pouco menores: R$ 7.672,05, diferença de R$ 349,86.

 O “adiantamento” (R$ 3.807,66) para prefeito e secretário, que aparece em nome de Cristian no Portal da Transparência, tem empenho de R$ 5,5 mil, conforme a assessoria. A devolução na prestação de contas foi de R$ 1.692,34, garante o executivo.

 Não foi informado se Cristian devolveu dinheiro pelo fato de ter abandonado a viagem oficial em Campinas.

 Cristian e Thomé já estavam em Florianópolis para cumprir agendas na Casa Civil e na Assembleia Legislativa antes do embarque para Brasília.

 Alô, Câmara Municipal!

 Afinal, algum vereador independente vai pedir informações sobre o caso?

 Comissionados têm privilégios em relação a servidores efetivos? Eles podem fazer o que querem? Suas folgas são facilmente abonadas e, depois, pagas pela prefeitura de Rio do Sul? Recebem mesmo quando não trabalham?

 Fiscalizar prestações de contas como esta e esclarecer a opinião pública não deveriam ser obrigações do legislativo?

Vereadores estão desatentos? (Captura de Tela: Câmara Municipal/Rio do Sul)

(Nº Empenho: 7985-0/2021. Nº Empenho: 8062-0/2021. Nº Empenho: 8063/2021. Nº Empenho: 8284-0/2021 > Todos: Point Tour Turismo | “Empenhos Emitidos”: 8351 / 2021 > Obs.: Sem “itens”, nem “documentos” no Portal da Transparência)

 Fotomontagem de Capa: Alto Vale Agora

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