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Em reportagem anterior, o portal Alto Vale Agora revelou – pela primeira vez na história do jornalismo regional – que, “Desprezando a tecnologia [de videoconferências, por exemplo], a Ucavi seguirá impondo gastos às Câmaras com reuniões presenciais no Alto Vale”.
O pagamento de diárias e despesas de locomoção a parlamentares municipais e servidores que participam da ‘enxurrada’ de eventos promovidos pela União de Câmaras e Vereadores do Alto Vale do Itajaí (Ucavi) já soma cerca de R$ 100 mil aos cofres públicos da região este ano.
Somente nesta legislatura (2021-2024), os custos estimados ao erário poderão alcançar R$ 1 milhão.

Imagem ilustrativa/Reprodução
Os eventos não param. Ocorrem ora em Rio do Sul, sede da entidade, ora em diversas cidades anfitriãs, como Laurentino, Lontras, Vitor Meireles… atraindo caravanas de todos os lados.
Conforme constatamos, num desses eventos realizados no mês de março, a empolgação parece ter tomado conta da Câmara de Vereadores de Imbuia. Nada menos do que 12 pessoas debandaram para a mesma assembleia no município vizinho, Vidal Ramos, com tudo pago, claro. Certamente, seriam necessários três veículos para levar tanta gente.
Infelizmente, não é exceção. Mega caravanas são comuns. E difícil é alguém resistir à variedade de tentações. Além das assembleias gerais, o vasto ‘cardápio ucaviano’ oferece palestras, treinamentos, reuniões dos contadores e de conselhos de servidores e consultivo.
Contudo, tocar nessa ferida parece magoar a União de Câmaras e Vereadores do Alto Vale do Itajaí: “o investimento no aprendizado é algo digno de reverência e não de críticas”, argumenta, na defensiva, a assessoria jurídica da Ucavi.
Seja na região, em Florianópolis (SC), ou Brasília (DF), as presenças em eventos que “possuam em sua programação assuntos voltados para os Vereadores e a atuação parlamentar são salutares”, alega-se.
Inclusive, não ir às capitais estadual e federal de pires na mão, representaria outra ameaça: “os recursos [financeiros] irão para as outras regiões do Estado ou para outros Estados da Federação”, sustenta a Ucavi.

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Pois bem, vamos lá…
Aqueles que são obrigados a pagar essa conta salgada das viagens – isto é, cada trabalhador e contribuinte –, têm direito ao ‘lugar de fala’, certo?
Então, já que a Ucavi rejeita transformar seus encontros presenciais em aulas virtuais, pois não seriam “tão exitosas para a transmissão do conhecimento”, que tal ela mesma rachar ou bancar as despesas?
Isso mesmo! Afinal, a União de Câmaras e Vereadores recebe contribuição anual de R$ 22.800,00 de cada legislativo. Considerando 28 Casas filiadas, seriam R$ 638,4 mil caindo no caixa da instituição apenas este ano. Lembre-se: também dinheiro saído dos pagadores de impostos.
A propósito, a sugestão também caberia para a Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi), cuja agenda de aglomerações implica, igualmente, em constantes pagamentos de diárias e despesas de locomoção para as prefeituras associadas, que, da mesma forma, repassam valores contributivos àquela instituição.
Vale ressaltar ainda que há outra alternativa capaz de poupar os contribuintes de mais esse infortúnio: o bolso dos próprios ‘viajantes’.
Que tal cada vereador pagar seu deslocamento em busca de conhecimento, rotina que costumam enfrentar trabalhadores da iniciativa privada quando fazem cursos de aperfeiçoamento? Os salários privilegiados dos políticos bem que comportariam essa retribuição social, não é mesmo?
Ou é o cidadão quem ‘merece’ continuar pagando mais essa montanha milionária de gastos – que inclui até “decoração de ambiente” e “despesa com arranjo para mesa de autoridades da assembleia geral da Ucavi”?
O que você acha? Está certo isso? É justo?

Imagem ilustrativa/Reprodução