Iniciada às pressas no início de agosto, dois meses antes do 1º turno das eleições, a obra da nova ponte do Acesso Oeste que deverá ligar os bairros Budag e Canoas, em Rio do Sul (SC), foi discretamente paralisada poucas semanas depois da divulgação de imagens oficiais de pequena movimentação de máquinas e operários no local.
A paralisação foi denunciada ao portal de notícias Alto Vale Agora já em meados de setembro.
Porém, quando questionada, a assessoria do executivo escreveu em mensagem de resposta: “O fiscal e o secretário disseram que está tudo ok, mas pode ter ocorrido interrupção de serviço por causa dos dias de chuva.”
Apesar de finalizar ressaltando “mas não há impeditivo para a interrupção”, o assessor também dizia no texto que teria que “verificar com a empreiteira” e avisaria “quando” confirmasse a situação. Entretanto, não houve retorno.
Há poucos dias, o abandono dos trabalhos foi finalmente admitido, mas somente passada a primeira fase das eleições e apenas em resposta a um novo questionamento encaminhado pela nossa equipe de reportagem.

Descompasso do “prefeito empreendedor”
A “execução de anel viário nos bairros Budag, Sumaré e Canoas e execução de obras de artes especiais, interligando a rodovia BR-470 com a rodovia SC 350” virou símbolo de atropelo político no Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

Em outras palavras, o prefeito José Thomé (PSD) autorizou o início da construção da ponte sem ter feito os devidos acordos para indenizar os proprietários de terrenos por onde a estrutura deverá atravessar o Rio Itajaí do Oeste.
Expondo a falha, agora, a assessoria de imprensa do executivo municipal revela: “A ponte acesso Oeste, entre o Budag e o Canoas teve as obras interrompidas pois há um processo de judicialização das indenizações. São cinco processos em andamento, sendo dois ainda em negociação do executivo com os proprietários. Outros três já tiveram acordo firmado.”
Uma fonte contou à nossa equipe que donos de terra teriam dito que nem foram avisados sobre a execução do projeto e que teriam sido surpreendidos quando os trabalhos começaram.

Apesar disso, a nova mensagem conclui insistindo em atribuir parcela da culpa ao mau tempo: “Além disso, setembro e outubro foram meses de chuva constante e variação muito ampla do nível do rio”, alega o departamento de comunicação da prefeitura rio-sulense.
A construção tem custo anunciado de R$ 20 milhões de repasse estadual e apenas R$ 136,2 mil de contrapartida do município.
Em agosto passado, uma reportagem exclusiva do Alto Vale Agora calculou que o orçamento para a edificação da ponte equivale ao valor atualizado do Elevado Deputado José Thomé, obra pública concluída em 2009 com extensão seis vezes maior (link ao final).

Fracasso
Se a estratégia foi fazer um ‘show’ apressado em torno do início das obras da ponte para ajudar a eleger candidatos no último pleito, a tentativa de José Thomé e seus mentores fracassou.
Gerri Adriani Consoli (PSD), que concorreu a deputado estadual, e Paulo Cunha (PSD), que tentou uma cadeira como deputado federal, não emplacaram nas urnas.

Prepare-se…
Enquanto isso, o tapume de madeira, erguido no entorno da aguardada travessia sobre o rio, esconde o abandono dos serviços que haviam sido recém-iniciados.
Anteriormente, informamos: “Segundo o contrato com a Salver Construtora e Incorporadora Ltda, de Ituporanga (SC), o prazo de conclusão é de 18 meses, podendo ser estendido. Se receber aditivos, a obra poderá ficar ainda mais cara. O reajustamento de preços é permitido após o decurso de um ano de vigência contratual – pelo INPC.”
Assim sendo, adivinha quem deverá pagar a conta extra pelo atraso?


Fotomontagem de Capa: Alto Vale Agora