- A informação que gera opinião!

TEATRO? Iniciada às pressas antes da eleição, obra de ponte já está paralisada em Rio do Sul

Se estratégia era ajudar a eleger candidatos a deputado estadual e federal... tentativa fracassou.

Por Redação

20 de outubro de 2022

às 08:00

Compartilhe

Iniciada às pressas no início de agosto, dois meses antes do 1º turno das eleições, a obra da nova ponte do Acesso Oeste que deverá ligar os bairros Budag e Canoas, em Rio do Sul (SC), foi discretamente paralisada poucas semanas depois da divulgação de imagens oficiais de pequena movimentação de máquinas e operários no local.    

A paralisação foi denunciada ao portal de notícias Alto Vale Agora já em meados de setembro.

Porém, quando questionada, a assessoria do executivo escreveu em mensagem de resposta: “O fiscal e o secretário disseram que está tudo ok, mas pode ter ocorrido interrupção de serviço por causa dos dias de chuva.”

Apesar de finalizar ressaltando “mas não há impeditivo para a interrupção”, o assessor também dizia no texto que teria que “verificar com a empreiteira” e avisaria “quando” confirmasse a situação. Entretanto, não houve retorno.

Há poucos dias, o abandono dos trabalhos foi finalmente admitido, mas somente passada a primeira fase das eleições e apenas em resposta a um novo questionamento encaminhado pela nossa equipe de reportagem.

Vazio, canteiro de obras esconde abandono atrás do cercado de madeira. (Foto: Alto Vale Agora)

Descompasso do “prefeito empreendedor”

A “execução de anel viário nos bairros Budag, Sumaré e Canoas e execução de obras de artes especiais, interligando a rodovia BR-470 com a rodovia SC 350” virou símbolo de atropelo político no Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

Poste com fios desconectados ao lado do tapume. (Foto: Alto Vale Agora)

Em outras palavras, o prefeito José Thomé (PSD) autorizou o início da construção da ponte sem ter feito os devidos acordos para indenizar os proprietários de terrenos por onde a estrutura deverá atravessar o Rio Itajaí do Oeste.

Expondo a falha, agora, a assessoria de imprensa do executivo municipal revela: “A ponte acesso Oeste, entre o Budag e o Canoas teve as obras interrompidas pois há um processo de judicialização das indenizações. São cinco processos em andamento, sendo dois ainda em negociação do executivo com os proprietários. Outros três já tiveram acordo firmado.”

Uma fonte contou à nossa equipe que donos de terra teriam dito que nem foram avisados sobre a execução do projeto e que teriam sido surpreendidos quando os trabalhos começaram.

Ao fundo, moradias aparecem perto do rio no trajeto planejado para nova ponte. (Foto: Alto Vale Agora)

Apesar disso, a nova mensagem conclui insistindo em atribuir parcela da culpa ao mau tempo: “Além disso, setembro e outubro foram meses de chuva constante e variação muito ampla do nível do rio”, alega o departamento de comunicação da prefeitura rio-sulense.

A construção tem custo anunciado de R$ 20 milhões de repasse estadual e apenas R$ 136,2 mil de contrapartida do município.

Em agosto passado, uma reportagem exclusiva do Alto Vale Agora calculou que o orçamento para a edificação da ponte equivale ao valor atualizado do Elevado Deputado José Thomé, obra pública concluída em 2009 com extensão seis vezes maior (link ao final).

Fotografia oficial chegou a apresentar maquinário para indicar largada da obra em agosto. (Foto: Divulgação/Ascom/PMRS/Arquivo)

Fracasso

Se a estratégia foi fazer um ‘show’ apressado em torno do início das obras da ponte para ajudar a eleger candidatos no último pleito, a tentativa de José Thomé e seus mentores fracassou.

Gerri Adriani Consoli (PSD), que concorreu a deputado estadual, e Paulo Cunha (PSD), que tentou uma cadeira como deputado federal, não emplacaram nas urnas.

Thomé (detalhe), Cunha (esquerda), Milton Hobus (centro) e Gerri (direita). (Fotomontagem: Alto Vale Agora/Divulgação/Internet)

Prepare-se…

Enquanto isso, o tapume de madeira, erguido no entorno da aguardada travessia sobre o rio, esconde o abandono dos serviços que haviam sido recém-iniciados.

Anteriormente, informamos: “Segundo o contrato com a Salver Construtora e Incorporadora Ltda, de Ituporanga (SC), o prazo de conclusão é de 18 meses, podendo ser estendido. Se receber aditivos, a obra poderá ficar ainda mais cara. O reajustamento de preços é permitido após o decurso de um ano de vigência contratual – pelo INPC.”

Assim sendo, adivinha quem deverá pagar a conta extra pelo atraso?

Em outubro de 2021, governo do estado formalizou convênio de R$ 20 milhões para nova ponte entre bairros Budag e Canoas. (Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom/Arquivo)
Placa da obra interrompida já no início. (Foto: Alto Vale Agora)

Fotomontagem de Capa: Alto Vale Agora

Últimas notícias

A imprensa já noticiou vários usos indevidos de emendas PIX
As entidades beneficiadas desenvolvem trabalho social e de utilidade pública diverso