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PROMESSA QUEBRADA: Com R$ 2 milhões à disposição, cronograma sofre novo atraso e obras no hospital de Taió permanecem no papel

Há um ano e meio, prefeito Horst Alexandre Purnhagen afirmava que já estava tudo resolvido, mesmo faltando projetos complementares à construção do “anexo hospitalar” que deverá comportar uma UTI. Direção do Dona Lisette prometeu iniciar novo bloco ainda em junho passado, descumpriu prazo e, agora, joga nova previsão.

Por Redação

18 de outubro de 2022

às 08:00

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Mentira, pendências e quebra de promessa compõem o enredo da verdadeira novela em torno do atraso do início das obras do novo bloco do Hospital e Maternidade Dona Lisette, em Taió, no Alto Vale do Itajaí (SC). Até mesmo uma verba de R$ 2 milhões, já disponibilizada há meses, permanece intocada.

Para entender o rolo que adia o direito de acesso à saúde de mais qualidade para a população, é preciso voltar um ano e meio no tempo.

No dia 22 abril de 2021, o site oficial do município reproduzia um comentário propagandístico das redes sociais do prefeito Horst Alexandre Purnhagen (MDB), que dizia: “Recebemos na tarde desta terça-feira o projeto finalizado de ampliação do nosso Hospital e Maternidade (…) Os recursos também estão garantidos”.

Não era verdade. Nem o montante – da ordem de R$ 6 milhões – estava formalizado em documentos, tampouco as plantas necessárias estavam totalmente finalizadas.

A própria direção do hospital desmentiu Purnhagen quando, 12 meses depois, em abril deste ano, a assessoria de imprensa respondia ao portal Alto Vale Agora que faltavam “projetos complementares”. Por isso, a expectativa da Redeh Beneficência Cristã, entidade que controla a instituição, era começar a construção 30 dias após a aprovação dessas demandas. Entre elas, complementos hidrossanitário, elétrico e estrutural.

Na prática, a construção deveria ter começado, no máximo, em junho passado, abrindo o cronograma de 18 meses da primeira fase dos trabalhos.

Apesar do prometido, o local reservado ao anexo hospitalar de cinco andares permanece vazio.

Há 18 meses, executivo municipal já comemorava, mas obra ainda é promessa. (Foto: Ascom Taió/Divulgação/Arquivo)

Dinheiro parado, troca de governo e novo prazo

O primeiro impedimento de uma obra costuma esbarrar na falta dos recursos financeiros.

Mas no Hospital e Maternidade Dona Lisette ocorre justamente o oposto: parte da verba já foi liberada, o que não se vê ainda é a largada dos trabalhos da tão aguardada ampliação.

Por conta do atraso, nossa equipe foi atrás de explicações junto à Redeh.

“Em relação aos R$ 2 milhões”, confirma a nota, “já recebemos a primeira parcela, porém nada foi utilizado. Seguindo o cronograma de desembolso, somente após o início das obras é que a verba será movimentada”, completa o texto.

A direção do Dona Lisette também admite que há outro grande obstáculo financeiro pela frente para, ‘um dia’, concluir a execução do projeto arquitetônico: “Em relação aos R$ 6 milhões [ainda necessários à construção] aguardamos a liberação do recurso, assim consequentemente nenhuma parcela foi recebida”.

A lista de problemas poderá incluir ainda a troca de comando na administração estadual a partir das eleições deste ano, mas a instituição minimiza este fato: “Todas as propostas de ampliação do Hospital foram formuladas com embasamento técnico demonstrando a importância dessas, nesse sentido acreditamos que não serão afetadas negativamente em decorrência da mudança de governo.”

Sem justificar o motivo do descumprimento da sua promessa, a direção sustenta que “os projetos estão todos aprovados” agora.

Já “as obras do novo Pronto Atendimento estão programadas para início ainda esse ano, em dezembro”, acrescenta a assessoria.

Ou seja, a paciência da comunidade terá que suportar pelo menos até que se complete o período de mais meio ano de espera desde a promessa furada feita anteriormente.

Direção do hospital mudou promessa de início de obras para dezembro de 2022. (Foto: Reprodução/Internet)

Outras pendências

Dez meses após a desativação, o governo do estado ainda tem “em aberto valores dos serviços médicos da cooperativa” que prestou o trabalho da UTI Covid.

Falsamente explorado para fins políticos pela administração municipal antes da abertura como se fosse uma Unidade de Terapia Intensiva permanente, o setor entrou em operação já na fase final da pandemia. O espaço funcionou durante apenas cinco meses, sendo fechado em janeiro deste ano.

Segundo o que foi divulgado na época, também havia pendências de custeio por parte do governo catarinense estimadas em R$ 2 milhões.

Sem informar o valor atual do débito, a direção limitou-se à seguinte frase: “Até o momento houve pagamento parcial, demais recursos seguem os trâmites administrativos da Secretaria de Saúde do Estado.”

“Dos equipamentos adquiridos com recurso do estado para abertura da UTI Covid, todos estão sob guarda e cuidados do Hospital. Alguns continuam sendo utilizados, porém em outros setores como Pronto Atendimento, Centro Cirúrgico e na Internação Clínica”, de acordo com a assessoria.

Quando procurada em abril passado, a mesma assessoria de imprensa havia repassado que o hospital aguardava a retirada por parte do governo estadual de alguns respiradores e do aparelho de hemodiálise, equipamentos considerados fundamentais ao funcionamento de uma UTI.

Inaugurada em 2021 após investimetno de R$ 1,4 milhão, Unidade de Terapia Intensiva fechou – e deixou dívidas. (Foto: Divulgação/Arquivo)

Aposta

E você, acredita mesmo que as obras de ampliação do Hospital e Maternidade Dona Lisette começam ainda em 2022?

O novo bloco e a ‘UTI geral’ acabarão mesmo fazendo parte de mais uma ladainha de políticos em busca de votos na campanha da próxima eleição municipal?

A propósito, algum vereador está fiscalizando a demora em torno da construção do anexo hospitalar taioense – com parte da verba já disponível?

Vereadores de Taió. (Fotomontagem: Alto Vale Agora/Reprodução)

Foto de Capa: “Alexandre Salvador/Divulgação”

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