Durante o mandato, de fevereiro de 2019 até o final de janeiro de 2023, os três “deputados do Alto Vale” consumiram R$ 2,89 milhões de verbas públicas com os gastos dos seus gabinetes na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis (SC). A soma deste montante é resultado do cálculo exclusivo da equipe do Alto Vale Agora, com base no Portal da Transparência do legislativo catarinense.
O ‘troféu de campeão’ de gastos ficou para Maurício José Eskudlark (PL), que fechou o mandato de quatros anos com despesas aos contribuintes na ordem de R$ 1,060 milhão.

Em segundo lugar, com uma diferença de apenas R$ 6,9 mil, quem recebe a ‘faixa’ é Jerry Comper (MDB): R$ 1,053 milhão.

Milton Hobus (PSD), terceiro no ‘pódio’, teve gastos de R$ 784,1 mil em seu gabinete.

No levantamento anterior que realizamos em julho do ano passado (veja link abaixo), Comper liderava por uma pequena margem (R$ 4,6 mil), mas no último meio ano do mandato acabou ultrapassado por Eskudlark; ‘de virada’.
Depois de apresentar aceleração na primeira metade do último ano de mandato, os parlamentares chegaram aos meses finais da legislatura com gastos sem maiores sobressaltos.
Entretanto, fazendo uma comparação, o montante milionário (R$ 2,89 milhões) equivale a 2,22 mil salários míninos (R$ 1.302,00). Ou seja: para ganhar essa bolada, um assalariado levaria 185 anos, se é que alguém conseguisse viver tanto tempo assim na Terra.

Sai um, entra outro
Dos três parlamentares estaduais, apenas Milton Hobus não disputou as eleições do último dia 2 de outubro.
Os outros dois deputados se reelegeram. Jerry Comper, que iniciou o seu segundo mandato em fevereiro de 2023, vai para o quinto ano tendo direito a verbas de gabinete.
Maurício José Eskudlark, que já está no quarto mandato consecutivo, conta com o benefício das verbas desde o ano de 2011.
Com a saída de Hobus de cargos políticos, o empresário Oscar Gutz (PL), eleito pela primeira vez à cadeira na Alesc, acaba surgindo como o terceiro representante do Alto Vale na capital.
Vale ressaltar que o dinheiro público fica disponível para todos os gabinetes dos 40 deputados que compõem o legislativo catarinense.

Mordomias
A lista dos maiores custos dos gabinetes da Assembleia Legislativa é encabeçada pelas diárias pagas aos parlamentares e seus assessores, além das despesas com veículos.
Há outros 10 itens de verbas pagas com o dinheiro dos contribuintes: almoxarifado, aluguel, correspondências, gráficas, passagens, combustíveis e reembolsos, além de telefone, inscrição em cursos e assinatura de TV a cabo.
O cenário de mordomias contrasta, por exemplo, com a Suécia, no norte da Europa. Por lá, os deputados não têm assessores, dormem em quitinete e pagam pelo cafezinho.
A austeridade sueca também não permite conceder benefícios extras como auxílio-mudança para a capital, custeio da alimentação, ou ressarcimento de gastos médicos.

Sim, ou não?
Na sua opinião, há sentido em conceder privilégios especiais a parlamentares, uma vez que a tarefa deles é representar os cidadãos e conhecer a realidade em que as pessoas vivem?
É fato que os deputados estaduais receberam o voto de confiança dos eleitores para influenciar os rumos do estado. Isso já não é o verdadeiro privilégio dado a eles – para ser cumprido sem regalias?
O salário gordo que eles ganham já não é o bastante?
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