RESUMO: Atrasos, paralisações, troca de empreiteira, aditivos… Agora, a gastança atinge valor quase quatro vezes maior do que o preço original da obra. Já se passaram quatro anos desde a assinatura do convênio liberando recursos federais para executar o projeto. A travessia poderia estar permitindo o acesso rápido de pedestres e ciclistas entre os bairros Centro e Victor Konder, no mínimo, desde setembro de 2020, quando Purnhagen ainda era vice-prefeito de Taió.
A ‘novela’ vergonhosa do conturbado cronograma de construção da ponte estaiada em Taió (SC) ganhou mais um personagem desprezível: o mato que toma conta do entorno da obra revelando, outra vez, nova paralisação. Localizada a 100 metros do gabinete do prefeito Horst Alexandre Purnhagen (MDB) e do seu vice Emerson Grunfeldt (Republicanos), a travessia foi idealizada para melhorar a mobilidade urbana e até ser um “cartão postal” da cidade do Vale Oeste, mas tornou-se símbolo de vexame público também para a atual gestão.
O contrato mais recente para a conclusão da “obra remanescente” da travessia entre os bairros Centro e Victor Konder foi assinado em setembro passado.
O prazo para finalização do trabalho está fixado em cinco meses. Já a vigência do contrato é de nove meses, terminando em 31 de maio de 2022. Portanto, restam apenas menos de 60 dias para o pacto perder a validade.
Apesar do pouco tempo, o local revela nova situação de abandono, como mostram fotos que internautas enviaram ao portal Alto Vale Agora.

Absurdo: custo já quase quadruplicou
O custo da ponte estaiada já é quase quatro vezes maior do que o valor inicial da obra.
Após a paralisação anterior da construção, um novo acordo, firmado no início de setembro de 2021 pelo prefeito Horst Alexandre Purnhagen, elevou a despesa para R$ 1.300.258,36. A contratada foi a Net Steel S.A. Indústria Metalúrgica, de Lontras (SC).
Surpreendentemente, no último dia 17 de março surgiu um ‘aditivo’ (apostilamento) ao contrato. O documento acrescentou, de uma só vez, R$ 470.261,89 à gastança. Com esse quase meio milhão de aumento, a despesa com a travessia disparou para R$ 1.770.520,25.

O documento, assinado pelo prefeito e por Jeison Vieira de Mello, da Net Steel, traz a seguinte justificativa: “a quantidade prevista no Edital não foi suficiente para a execução das obras previstas”.
As despesas decorrentes da mudança “correrão por conta das dotações orçamentárias consignadas na lei orçamentária do exercício de 2014”, informa a “cláusula terceira” do anexo publicado no Portal da Transparência. Os demais itens foram mantidos, incluindo o prazo.

Há quatro anos, quando o convênio para a construção da “passarela estaiada” – de estrutura metálica e pré-moldada – foi assinado, o preço original anunciado era de R$ 479 mil. A maior parte, quase R$ 461 mil, repassada pelo Ministério do Turismo, representado pela Caixa Econômica Federal (CEF). O restante, R$ 18 mil, era a contrapartida da prefeitura de Taió.
Em 2020, o então prefeito Almir Reni Guski (PSDB) havia contratado a Engedal Construtora de Obras Ltda, com sede em São José (SC), para executar o projeto por R$ 913.830,00. Em julho daquele ano, um aditivo encareceu o serviço em R$ 27.801,05, com a seguinte explicação: “melhorar a qualidade da obra, desta forma garantir mais segurança para as pessoas” que utilizarem a ponte.
O trabalho deveria ter sido feito dentro de cinco meses após a entrega da ordem de serviço, sendo que a placa fincada no local da obra marca o dia 15 de setembro daquele mesmo ano como a data limite para o término da ponte. Em caso de não conclusão dentro do prazo de vigência do contrato, havia até previsão de multa diária de R$ 1 mil.

Pague quase QUATRO, mas receba só UMA
Em duas reportagens anteriores sobre o assunto (veja abaixo), o portal Alto Vale Agora acompanhou a elevação dos gastos por conta dos atrasos no cronograma da ponte estaiada.
Primeiro, informamos que os acréscimos permitiriam fazer duas travessias iguais. Depois, na matéria mais recente, recalculamos que o preço pagaria três.
Agora, com o montante de R$ 1,77 milhão já seria possível construir quase QUATRO obras do mesmo tipo para atender a população da área urbana da cidade, que é dividida por dois cursos d’água: Rio Itajaí do Oeste e Rio Taió.

Mesmo assim, pedestres e ciclistas continuam sonhando com o dia em que a prometida – e única – passagem milionária será, finalmente, aberta ao público.
Quando? Isso ninguém tem certeza…

Vereadores atravessarão a rua?
A Câmara Municipal de Taió fica ainda mais perto do local de construção da ponte estaiada tomado pelo matagal do que a prefeitura.
Basta que os vereadores atravessem a Rua Coronel Feddersen, caminhem alguns metros pela Praça Prefeito João Machado da Silva, e pronto: estarão diante da polêmica obra inacabada e que traz prejuízos financeiros aos contribuintes.
Na volta da caminhada, será bem fácil cobrar respostas do executivo; a pé mesmo. Afinal, o prédio da prefeitura fica bem na mão, ao ladinho do legislativo municipal.
Será que um dos nove parlamentares irá se dispor a fazer esse pequeno deslocamento para fiscalizar a situação vergonhosa que não para de sugar os cofres públicos e de atormentar os taioenses?

Purnhagen na rede
A assessoria de imprensa da prefeitura de Taió tem histórico de só atender veículos de comunicação “sob contrato”. Não é o caso do Alto Vale Agora, portal que não recebe nenhum centavo da instituição pública e tem total liberdade jornalística. Por causa da atuação ética, de modo incoerente e injusto, temos sido penalizados, não obtendo respostas do executivo municipal.
Ainda assim – para melhor informar nosso público -, conseguimos encontrar uma postagem do prefeito Horst Alexandre Purnhagen, no Facebook, para compartilhar aqui.
Em um trecho da mensagem, o político escreveu: “Se quiserem discutir algo sério sobre a obra podem me procurar na prefeitura”, após argumentar que “Ainda esse ano teremos esta obra concluída”.

Conforme já informamos, a data de término de vigência do contrato atual é o próximo dia 31 de maio. Ou seja, faltam menos de dois meses.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac…

Foto de Capa: Internet
Fonte: Redação
(REPASSE N. 869966/2018 | Contrato Superior: 22/2020; Licitação: 33/2020 > Aditivo: 1/2020 | Contrato Superior: 53/2021; Licitação: 70/2021 > Aditivo: 1-2022/2022 | Modalidade: Tomada de Preços)
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