“Não foi viagem de turismo”. Dessa forma, o vereador de Salete (SC), Odair José Ferreira (PL), rebateu a crítica feita pelo colega de legislatura Paulo Feldhaus (MDB), na Câmara, um dia antes da ida dele e de outros quatro parlamentares municipais, em comitiva, a Florianópolis (SC). O deslocamento dos cinco, todos da bancada do Partido Liberal, ocorreu nos dias 14 e 15 deste mês – custeado com recursos públicos.
De acordo com o polêmico comentário anterior do emedebista, a participação nas audiências na capital seria precipitada e sem muito resultado, uma vez que o novo governo ainda está em fase de implantação.
A manifestação de Feldhaus ganhou forte repercussão por causa da publicação de uma reportagem, na última segunda-feira (20), no portal Alto Vale Agora (veja no link abaixo).
Na mesma data, em nova sessão do legislativo, ao falar na tribuna, Ferreira se apressou a contestar o ‘puxão de orelhas’, defendendo que a caravana não foi a passeio.

“O que aconteceu de falatórios dessa viagem, não me importa”, disse. “Vou continuar viajando a trabalho e quando preciso viajar também a ‘turismo’, que faz tempo que não tiro umas férias, vou fazer isso também, pode ter certeza”, alfinetou Odair. OUÇA!
Sucessor?
Odair José Ferreira parece mesmo ter motivo para não querer tirar férias nos últimos tempos. Para desvendar o provável plano dessa ‘ambição maior’, basta relembrar seus passos.
O jornalista estreou na política como assessor durante o mandato do ex-prefeito de Salete Hugo Lembeck (MDB). Depois, por dois mandatos, atuou nos governos do ex-prefeito Juares de Andrade (PSD). Na sequência, assessorou, na primeira gestão, a atual prefeita Solange Aparecida Bitencourt Schlichting, a Chica (PL).
Como se observa, ele vai se adaptando como uma espécie de camaleão aos diferentes partidos que já apoiou. Além disso, ao atuar no setor de comunicação adquiriu experiência no setor público.
Em 2020, Odair candidatou-se, pela primeira vez, ao cargo de vereador. Foi o mais votado do município. E, já no primeiro ano da legislatura, presidiu a Câmara Municipal de Salete.
Ferreira mantém uma estreita ligação com a prefeita Chica. Os laços vêm desde os quatro anos como assessor dela no executivo e se estendem aos dias atuais. Como vereador, ele tem se esforçado para auxiliar Solange.
Talvez também buscando cultivar uma boa imagem junto ao eleitorado, o político ainda atua como bombeiro voluntário no 2º Grupamento de Bombeiros Militar de Santa Catarina, em Taió, cidade vizinha.

Portanto, por suas articulações e pelo aprendizado que acumulou ao longo de mais de quatro mandatos de gestores municipais, Odair José Ferreira tem grande possibilidade de ser o candidato à sucessão da prefeita Chica. Essa seria a ‘real meta’ por trás de todo o histórico das movimentações dele na vida pública.
O pacote de encantos para conquistar eleitores também inclui suas promessas de campanha para vereador: “transparência, cuidado com o dinheiro público” e, a mais chamativa, “diária zero”.


Apesar de ter ido de carona, dos cinco vereadores saletenses que viajaram a Florianópolis, Odair José Ferreira foi o único que não pegou diária, economia que ele repete desde que assumiu a cadeira no legislativo.
Você consegue imaginar um possível prefeito que não gaste nada com diárias? E que também tenha critérios rígidos para liberar auxílio de custo de viagem a servidores? Acreditaria em alguém que propõe “ideias diferentes” para a gestão? Você apoiaria Odair Ferreira para prefeito em 2024?


Necessário?
Como já abordamos diversas vezes, a maioria das viagens dos políticos são desnecessárias. Na verdade, muitas delas dizem respeito às ambições dos próprios partidos, disfarçadas de ajuda ao povo.
Em geral, a própria estrutura das instituições públicas, que dispõe de telefone e internet, bastaria para resolver problemas – sem a necessidade de ‘romarias’.
“Os deputados gastam para ir aos municípios, e os vereadores gastam para ir até os deputados? Não fecha! Ou um faz a visita, ou outro”, comentou o radialista Marcos Roberto ao lembrar que nem é função de um vereador ‘buscar recursos’. O verdadeiro papel deles é legislar e fiscalizar, pontuou.
Em geral, o que ocorre é que os vereadores atuam como se fossem carteiros, quer dizer, carregam ofícios do executivo aos seus correligionários pedindo verbas. Uma maneira de cantar vitória depois, em caso de liberação de dinheiro, revelando que, desde o início, são movidos por objetivos eleitorais.
No caso de Salete, a recente ida à capital, que daria pra fazer de carro gastando R$ 300, acabou custando R$ 900 aos cofres públicos com despesas de transporte. Sem falar do pagamento de uma diária e meia, ou seja, os R$ 525 que cada um dos quatro vereadores recebeu.
Cabe ressaltar ainda que os políticos costumam nem pagar grande parte das suas refeições. No destino, a comida, em geral, acaba sendo obtida de graça, ou fornecida pelos próprios ‘padrinhos’ deles.
Mas isso, claro, no final, também não é descontado da fatura que o povo é obrigado a pagar…
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(Câmara de Vereadores de Salete/SC: 03ª Sessão Ordinária, de 20/02/2023)_