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Fotos oficiais não mostram, mas ponte que custou R$ 13,9 milhões fica no portão da indústria de padrinho político do prefeito de Rio do Sul

Aparentemente, executivo municipal cuida para não destacar o fato polêmico aos olhos do público de modo a evitar eventuais críticas à inauguração da obra suntuosa, mas nossa equipe mostra para você o ângulo omitido nas imagens...

Por Redação

4 de maio de 2022

às 15:08

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Entrega atrasou, custo subiu R$ 3,7 milhões e contribuintes pagarão o financiamento da travessia até 2042. Afinal, por que não houve o mesmo empenho para resolver o problema do trânsito no centro da cidade, agravado pelo fluxo de veículos pesados vindo de Ituporanga?

 No mínimo curioso, um fato chama a atenção nas fotos oficiais do anúncio à imprensa da inauguração da ponte que custou R$ 13,9 milhões, liberada ao tráfego no último sábado (30) entre os bairros Bela Aliança e Navegantes, em Rio do Sul (SC).

 As fotografias foram tiradas de ângulos que não deixam ver que uma das cabeceiras da obra suntuosa leva diretamente ao portão de acesso da indústria do ex-prefeito e deputado estadual Milton Hobus, padrinho político do prefeito José Thomé, ambos do PSD.

 As imagens divulgadas pelo executivo para promover o ato de entrega da travessia mostram apenas enquadramentos em direção à BR-470 enquanto cortam a visão da margem direita do Rio Itajaí-Açu, justamente o local onde fica a Royal Ciclo, fabricante de componentes para bicicletas na qual o parlamentar é sócio-proprietário. VEJA!

 No entanto, nossa equipe, livre para trazer todos os lados de uma notícia, providenciou as fotos com o ‘ângulo proibido’ que, aparentemente, a prefeitura de Rio do Sul tenta suprimir do olhar crítico dos contribuintes. OBSERVE!

 Projeto ‘top’: atraso, R$ 3,7 milhões mais caro e 20 anos para pagar

 A promessa de término da ponte era outubro do ano passado. Além do atraso de meio ano para a conclusão da obra, o custo final trouxe outra ‘surpresa’: R$ 3,7 milhões acima do valor inicial.

Banner engana: gasto real foi de R$ 13,9 milhões, ou R$ 72,3 mil por metro corrido. (Foto: Alto Vale Agora)

 Localizada diante da indústria de Milton Hobus, a travessia representa “o maior contrato assinado na história da cidade”, segundo havia propagandeado Thomé. O montante de recursos é “proveniente de financiamento da prefeitura de Rio do Sul com o BRDE”, informa a assessoria.

 Enquanto a contrapartida municipal foi de apenas R$ 637.561,38, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) financiou R$ 12.113.666,38, dívida a ser paga com prestações mensais até junho de 2042, conforme revela a Cédula de Crédito Bancário.

 De acordo com o executivo municipal, “o investimento em todo o Acesso Leste supera os R$ 27 milhões”. A conta inclui “a revitalização de trecho da Estrada Blumenau, ciclovias, acessos à ponte pelo Bremer e Bela Aliança, pavimentações no Navegantes e o novo trevo de acesso na BR-470, este com apoio da iniciativa privada.”

 A prefeitura não tornou público que a cidade ficará refém por duas décadas de juros contratuais em função do valor financiado, tampouco informou qual o prazo de pagamento e eventual impacto sobre o dinheiro dos pagadores de impostos. 

 De acordo com declarações de José Thomé, que ambiciona voos políticos maiores, a novidade desafogará o trânsito e trará desenvolvimento.

 Com 192 metros de extensão, duas pistas para tráfego e passarela para pedestres e ciclistas, a ponte integra um projeto de engenharia de altíssimo padrão. Agora, bem à mão também do político que lançou Thomé na vida pública.

 Enquanto isso, na região central de Rio do Sul, os engarrafamentos fazem do trânsito um inferno e uma nova travessia é urgência faz tempo. Para agravar, o prefeito castiga trabalhadores com o fechamento de um ponte pênsil há mais de um ano entre os bairros Barragem e Pamplona.

Trancamento e congestionamentos nas áreas central e oeste: a urgência era mesmo o “Acesso Leste”? (Fotos: Alto Vale Agora/Arquivo)

 Nome

 Se você imaginava que a requintada estrutura poderia ganhar o nome de alguém sem vínculos políticos, esqueça.

 Batizada de ponte Ingomar Bachmann, a nova transposição do Rio Itajaí-Açu homenageia um filho de camponeses, falecido em 2020.

 Ingomar era casado com Ilse Bremer. Ocorre que os Bremer têm laços com os Hobus. Um deles, Milton, como já dissemos, lançou o atual prefeito de Rio do Sul na vida pública. E Thomé, disposto a galgar politicamente, foi quem autorizou construir a ponte ali, bem na frente da fábrica do deputado.

 ‘Ponte Hobus’, ‘ponte Thomé’, ‘ponte Bremer’… talvez seria dar muita bandeira. Então, restou chamá-la de Bachmann, ainda assim, sem perdê-la do domínio das forças políticas. 

 Chateado, mas incompleto

 Em fevereiro deste ano, o portal Alto Vale Agora expôs ao público a suposta coincidência do local escolhido para a construção da ponte.

 Até ali, a questão nunca havia sido abordada pela mídia regional, nem pelo deputado e, nem pelo prefeito.

 Por conta da repercussão da reportagem publicada, um dos assessores de imprensa da prefeitura encaminhou a seguinte observação para a nossa equipe: “Talvez eu pudesse te explicar que existe um critério para a ponte estar ali. (desapropriações, acesso de um lado ao outro, cota de inundação em caso de cheias, questão técnica de acesso e manobra de caminhões pesados tanto de um lado como do outro, entre outros).”

 Faltou dizer que uma das cabeceiras está perto de uma curva, e  o mais importante: houve estudo técnico provando, com base no número da absorção diária de fluxo de veículos, que a construção naquele exato local se justifica mesmo como prioridade?

 Normal?

 Algum vereador estranhou as fotos? Algum deles fiscaliza o equilíbrio da distribuição dos recursos nos bairros de Rio do Sul?

 E você, acredita que tudo não passa de uma mera casualidade?

(Contrato Superior: 45554/2021)

Capa: Fotos Divulgação / Fotomontagem Alto Vale Agora

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