A empresa que apresentou a menor proposta para construir uma ponte em Taió e acabou desclassificada pela Prefeitura vai agora assumir uma obra ainda maior em Lontras, também no Alto Vale do Itajaí (SC).
A Zanco Construtora Ltda., de Xaxim, no Oeste catarinense, foi declarada vencedora da licitação para construir a nova travessia sobre o Rio Riachuelo, com contrato de R$ 16,135 milhões.
O detalhe ganha relevância porque, poucos meses antes, a mesma empresa havia participado de uma licitação em Taió para construir uma ponte sobre o Rio Itajaí do Oeste, ligando as comunidades de Ribeirão Pinheiro e Ribeirão do Salto.
Naquele processo, a Zanco apresentou a menor proposta — mas acabou fora da disputa por decisão da gestão do prefeito Aristides Elói Valentini (PSDB).
Quase R$ 600 mil abaixo do orçamento
A licitação de Taió previa uma ponte de aproximadamente 70 metros, com orçamento estimado pela Prefeitura em R$ 4,39 milhões.
A Zanco Construtora ofereceu executar a obra por R$ 3,798 milhões.
Na prática, a proposta era aproximadamente R$ 599 mil mais barata que o valor estimado pelo município.
A construtora chegou a liderar a concorrência, mas foi posteriormente desclassificada após a análise da equipe técnica da Prefeitura.
Segundo a Administração Municipal, foram identificadas inconsistências na planilha de custos e dúvidas sobre a capacidade de execução da obra pelo valor apresentado.
Zanco contestou a desclassificação
A decisão não foi aceita pela construtora, que atua na execução de grandes obras de infraestrutura e engenharia civil.
A Zanco apresentou recurso administrativo e contestou os argumentos utilizados para retirar sua proposta da licitação.
Entre os questionamentos apresentados pela empresa estavam a falta de detalhamento de alguns dos pontos apontados pela Administração e a possibilidade de correção de eventuais falhas formais na proposta.
A empresa também questionou o registro feito no sistema eletrônico da licitação, que indicava “inabilitação”, enquanto a Prefeitura sustentava que a decisão dizia respeito à proposta apresentada.
A gestão do prefeito Aristides Elói Valentini analisou o recurso e manteve a desclassificação da Zanco.
Com isso, a proposta de R$ 3,798 milhões permaneceu fora da disputa.
Empresa que Taió retirou da disputa aparece agora em Lontras
É justamente aqui que surge o novo capítulo dessa história.
Em Lontras, a mesma Zanco Construtora venceu a licitação para construir uma nova ponte no Riachuelo.
O contrato é de “R$ 16.135.000,00”.
A obra vai substituir a atual ponte pênsil e criar uma segunda ligação de Lontras com a BR-470.
A Prefeitura afirma que a nova estrutura deverá melhorar a mobilidade, facilitar o fluxo de veículos e criar condições para a expansão da área industrial e a chegada de novos empreendimentos.
A previsão divulgada pelo município é de início dos trabalhos após o período eleitoral, com conclusão esperada até o final de 2027.
Nome da empresa não aparece
Na divulgação oficial sobre a assinatura do contrato, a Prefeitura de Lontras informa que a vencedora é uma empresa de Xaxim, mas não destaca no texto o nome da construtora.
A identificação é possível pela imagem divulgada pelo município.
Na fotografia, Fabiane Zanco Bortolanza, engenheira civil e sócia-administradora da Zanco Construtora, aparece ao lado do prefeito de Lontras, Rubens Roberto dos Santos (MDB), e de secretários municipais.
Fabiane também foi quem assinou, em nome da empresa, o recurso apresentado na licitação de Taió.

Duas pontes, duas decisões
Os dois processos licitatórios são independentes.
Em Taió, a Prefeitura entendeu que a proposta da Zanco, embora fosse a mais barata, apresentava problemas que justificavam a desclassificação.
A empresa contestou a decisão, mas o recurso foi rejeitado.
Em Lontras, por outro lado, a mesma construtora foi considerada vencedora da licitação para uma obra de R$ 16,135 milhões.
Não há, nos fatos apresentados até agora, indicação de que a contratação em Lontras tenha qualquer irregularidade.
O que existe é um contraste objetivo entre as duas licitações: em Taió, a empresa que ofereceu o menor preço para uma ponte foi retirada da disputa; em Lontras, a mesma empresa passou a ser responsável por uma obra maior de infraestrutura.
Por que o caso de Taió merece explicação
A questão central não é o valor da ponte de Lontras. Obras desse porte naturalmente envolvem milhões de reais.
O ponto que chama atenção está na licitação de Taió.
A empresa apresentou uma proposta cerca de R$ 599 mil abaixo do orçamento estimado para construir a ponte entre Ribeirão Pinheiro e Ribeirão do Salto.
A Prefeitura considerou que havia problemas técnicos suficientes para desclassificá-la.
A empresa discordou.
E, agora, a mesma construtora foi escolhida para executar uma obra de R$ 16,1 milhões em um município vizinho.
Isso torna ainda mais relevante conhecer, em detalhes, quais foram os critérios utilizados pela Prefeitura de Taió para retirar da disputa justamente a proposta de menor valor.
A decisão administrativa foi tomada, o recurso foi rejeitado e o processo seguiu.
Mas a contratação da mesma empresa por Lontras recoloca o episódio de Taió no radar — e ajuda a mostrar ao contribuinte o tamanho da diferença que estava em jogo naquela licitação.
A pergunta não é se a Zanco poderia participar de outra concorrência.
A pergunta é: por que a empresa considerada apta a executar uma ponte de R$ 16,1 milhões em Lontras teve sua proposta de R$ 3,798 milhões retirada da disputa em Taió?
Os documentos dos dois processos ajudam a reconstruir uma história que envolve duas pontes, dois municípios e decisões diferentes sobre a mesma construtora — um episódio que ainda gera questionamentos entre os contribuintes taioenses.