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Gestão Aristides desclassificou em Taió, Lontras contratou: o que explica a decisão que tirou a proposta mais barata de uma ponte no Alto Vale?

Zanco Construtora ofereceu proposta de R$ 3,798 milhões para construir a ponte entre Ribeirão Pinheiro e Ribeirão do Salto, quase R$ 600 mil abaixo do orçamento da Prefeitura de Taió; meses depois, a mesma empresa venceu a licitação para uma nova ponte em Lontras, por R$ 16,135 milhões.

Por Redação

28 de agosto de 2026

às 18:36

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A empresa que apresentou a menor proposta para construir uma ponte em Taió e acabou desclassificada pela Prefeitura vai agora assumir uma obra ainda maior em Lontras, também no Alto Vale do Itajaí (SC).

A Zanco Construtora Ltda., de Xaxim, no Oeste catarinense, foi declarada vencedora da licitação para construir a nova travessia sobre o Rio Riachuelo, com contrato de R$ 16,135 milhões.

O detalhe ganha relevância porque, poucos meses antes, a mesma empresa havia participado de uma licitação em Taió para construir uma ponte sobre o Rio Itajaí do Oeste, ligando as comunidades de Ribeirão Pinheiro e Ribeirão do Salto.

Naquele processo, a Zanco apresentou a menor proposta — mas acabou fora da disputa por decisão da gestão do prefeito Aristides Elói Valentini (PSDB).

Quase R$ 600 mil abaixo do orçamento

A licitação de Taió previa uma ponte de aproximadamente 70 metros, com orçamento estimado pela Prefeitura em R$ 4,39 milhões.

A Zanco Construtora ofereceu executar a obra por R$ 3,798 milhões.

Na prática, a proposta era aproximadamente R$ 599 mil mais barata que o valor estimado pelo município.

A construtora chegou a liderar a concorrência, mas foi posteriormente desclassificada após a análise da equipe técnica da Prefeitura.

Segundo a Administração Municipal, foram identificadas inconsistências na planilha de custos e dúvidas sobre a capacidade de execução da obra pelo valor apresentado.

Zanco contestou a desclassificação

A decisão não foi aceita pela construtora, que atua na execução de grandes obras de infraestrutura e engenharia civil.

A Zanco apresentou recurso administrativo e contestou os argumentos utilizados para retirar sua proposta da licitação.

Entre os questionamentos apresentados pela empresa estavam a falta de detalhamento de alguns dos pontos apontados pela Administração e a possibilidade de correção de eventuais falhas formais na proposta.

A empresa também questionou o registro feito no sistema eletrônico da licitação, que indicava “inabilitação”, enquanto a Prefeitura sustentava que a decisão dizia respeito à proposta apresentada.

A gestão do prefeito Aristides Elói Valentini analisou o recurso e manteve a desclassificação da Zanco.

Com isso, a proposta de R$ 3,798 milhões permaneceu fora da disputa.

Empresa que Taió retirou da disputa aparece agora em Lontras

É justamente aqui que surge o novo capítulo dessa história.

Em Lontras, a mesma Zanco Construtora venceu a licitação para construir uma nova ponte no Riachuelo.

O contrato é de “R$ 16.135.000,00”.

A obra vai substituir a atual ponte pênsil e criar uma segunda ligação de Lontras com a BR-470.

A Prefeitura afirma que a nova estrutura deverá melhorar a mobilidade, facilitar o fluxo de veículos e criar condições para a expansão da área industrial e a chegada de novos empreendimentos.

A previsão divulgada pelo município é de início dos trabalhos após o período eleitoral, com conclusão esperada até o final de 2027.

Nome da empresa não aparece

Na divulgação oficial sobre a assinatura do contrato, a Prefeitura de Lontras informa que a vencedora é uma empresa de Xaxim, mas não destaca no texto o nome da construtora.

A identificação é possível pela imagem divulgada pelo município.

Na fotografia, Fabiane Zanco Bortolanza, engenheira civil e sócia-administradora da Zanco Construtora, aparece ao lado do prefeito de Lontras, Rubens Roberto dos Santos (MDB), e de secretários municipais.

Fabiane também foi quem assinou, em nome da empresa, o recurso apresentado na licitação de Taió.

Duas pontes, duas decisões

Os dois processos licitatórios são independentes.

Em Taió, a Prefeitura entendeu que a proposta da Zanco, embora fosse a mais barata, apresentava problemas que justificavam a desclassificação.

A empresa contestou a decisão, mas o recurso foi rejeitado.

Em Lontras, por outro lado, a mesma construtora foi considerada vencedora da licitação para uma obra de R$ 16,135 milhões.

Não há, nos fatos apresentados até agora, indicação de que a contratação em Lontras tenha qualquer irregularidade.

O que existe é um contraste objetivo entre as duas licitações: em Taió, a empresa que ofereceu o menor preço para uma ponte foi retirada da disputa; em Lontras, a mesma empresa passou a ser responsável por uma obra maior de infraestrutura.

Por que o caso de Taió merece explicação

A questão central não é o valor da ponte de Lontras. Obras desse porte naturalmente envolvem milhões de reais.

O ponto que chama atenção está na licitação de Taió.

A empresa apresentou uma proposta cerca de R$ 599 mil abaixo do orçamento estimado para construir a ponte entre Ribeirão Pinheiro e Ribeirão do Salto.

A Prefeitura considerou que havia problemas técnicos suficientes para desclassificá-la.

A empresa discordou.

E, agora, a mesma construtora foi escolhida para executar uma obra de R$ 16,1 milhões em um município vizinho.

Isso torna ainda mais relevante conhecer, em detalhes, quais foram os critérios utilizados pela Prefeitura de Taió para retirar da disputa justamente a proposta de menor valor.

A decisão administrativa foi tomada, o recurso foi rejeitado e o processo seguiu.

Mas a contratação da mesma empresa por Lontras recoloca o episódio de Taió no radar — e ajuda a mostrar ao contribuinte o tamanho da diferença que estava em jogo naquela licitação.

A pergunta não é se a Zanco poderia participar de outra concorrência.

A pergunta é: por que a empresa considerada apta a executar uma ponte de R$ 16,1 milhões em Lontras teve sua proposta de R$ 3,798 milhões retirada da disputa em Taió?

Os documentos dos dois processos ajudam a reconstruir uma história que envolve duas pontes, dois municípios e decisões diferentes sobre a mesma construtora — um episódio que ainda gera questionamentos entre os contribuintes taioenses.

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