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VÍDEOS: Briga entre Vereador e Secretária revela escândalo na Saúde que deve chegar ao MP

Eder ‘pediu a cabeça’ de Rozi em sessão da Câmara de Vereadores de Taió (SC). Pivô da discórdia é médico credenciado que já faturou quase R$ 1,4 milhão no município. Veja!

Por Redação

11 de abril de 2022

às 14:51

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 Afirmando na tribuna do legislativo que os pacientes estão sendo feitos de “palhaço” por conta da falta de médicos em três postos de Taió (SC), o vereador Eder Ceola (Podemos) sugeriu, na presença da secretária municipal de Saúde, que Rozi Terezinha de Souza peça ao prefeito Horst Alexandre Purnhagen (MDB) a sua demissão do cargo.

 A rixa entre ambos ressurge por conta de um médico credenciado. Ele foi contratado por meio de sua empresa para suprir a demanda reprimida e não deixar ninguém sem atendimento, de acordo com a versão oficial da prefeitura.

 Somente no ano passado, o clínico geral teria feito cerca de “14 mil consultas”. A média normal, segundo o vereador, ficaria em torno de 4 mil.

 Faturando “R$ 50,00 por pessoa” – e não um salário fixo caso fosse um servidor concursado, o que seria muito mais vantajoso para os cofres públicos -, o clínico geral já recebeu da prefeitura, sozinho, pagamentos que somam quase R$ 1,4 milhão.

 O parlamentar promete denunciar o caso para fiscalização do Ministério Público do Estado de Santa Catarina. ASSISTA!

 Impressionante

 Segundo o vereador, em 2018 e 2019, a prefeitura pagou ao clínico geral R$ 70 mil e R$ 60 mil, respectivamente.

 Já em 2020, durante a pandemia, o valor subiu para R$ 338 mil.

 No ano passado, primeiro ano do mandato de Horst Alexandre Purnhagem como prefeito, o custo disparou: R$ 546 mil.

 Este ano, em apenas três meses, os pagamentos já alcançam R$ 382 mil, diz Ceola.

 A secretária admite que o credenciamento “não é o modo mais indicado para o médico de saúde da família, que é o que exige o Ministério da Saúde”. Mesmo assim, segue defendendo o modelo adotado; e encoraja: “se tiver algum outro médico (…), de qualquer região do estado, que queira vir trabalhar em Taió, o credenciamento está aberto”.

 Ao ser pressionada pela segunda vez se o profissional recebe somente pelas consultas realizadas, ou também quando apenas assina receitas, Rozi Terezinha reagiu. VEJA como!

 Profissionais de saúde consultados pelo Alto Vale Agora informaram que os pacientes que tomam remédios de uso contínuo não precisam voltar ao médico “todo mês”. Atualmente, a receita tem validade de seis meses (no caso dos medicamentos não controlados), como a própria secretária admitiu ao cair em aparente contradição na Câmara de Vereadores.

 “Agilidade” e “questão de matemática”

 Com orgulho, Rozi Terezinha de Souza relata que o médico em questão tem histórico de atender cerca de 50 pacientes em um único dia.

 O portal Alto Vale Agora fez as contas: se o profissional demorasse o tempo médio normal de 30 minutos por consulta, iria necessitar de 25 horas a fio para atender tanta gente.

 Ocorre que um dia tem apenas 24 horas. E, em média, 8 são reservadas para dormir. Sem falar que também é preciso tempo para as refeições…

 A conclusão óbvia é que os procedimentos, as consultas e o volume de receitas assinadas… tudo, realmente, deve estar sendo executado com extrema rapidez.

 Enquanto muitas pessoas podem temer que isso poderia resultar em diagnósticos superficiais e risco à vida de pacientes, Rozi sustenta elogios à superprodutividade, competência e agilidade do profissional.

 Não é difícil entender a defesa ferrenha. Afinal, o especialista funciona como uma espécie de tapa-buraco.

 Atualmente, a saúde municipal está largada ao caos. Há apenas seis médicos. Faltam três para completar a equipe necessária ao funcionamento das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Além disso, há um “faltoso” e que também costuma chegar atrasado, conforme relatou a própria secretária.

 Faturando alto após “esquecimento”

 Enquanto os demais médicos concursados da prefeitura de Taió recebem salários próximos a R$ 15 mil, o clínico geral, que trabalha na modalidade de credenciamento, fatura muito mais: em média, R$ 50 mil por mês.

 Ele teria tido “vontade” de se tornar servidor efetivo do município quatro anos atrás.

 No entanto, o especialista perdeu a chance por conta de um simples “esquecimento”, como lembrou a vereadora Clarice Fonseca Longen (MDB) durante a sessão ordinária. ASSISTA!

 Como se pode observar no vídeo, a parlamentar municipal confirma que “ele [o médico credenciado] fazia essa parte da receita [assinaturas], onde havia a ausência de médicos”.

 Nervosismo e irritação: “Mais alguma pergunta?”

 A fiscalização legislativa em questões que envolvem o executivo – como, por exemplo, os altos gastos com especialista credenciado, a falta de médicos e outros profissionais -, não é nada mais do que parte da obrigação dos vereadores.

 Entretanto, Rozi Terezinha de Souza demonstrou, além de nervosimo, irritação diante dos questionamentos na Câmara de Vereadores, como fica evidenciado ao longo de sua fala. REPARE a postura dela em um desses momentos!

 Indireta para ‘abafar o caso’?

 A secretária tentou, mais uma vez, fugir da responsabilidade sobre a falta de especialistas nas Unidades Básicas de Saúde de Taió alegando que não há profissionais no mercado. “Me tragam médicos”, desafiou.

 Mas o argumento não é válido. A lei determina que o atendimento de saúde de qualidade seja assegurado à população, sem nenhum tipo de justificativa.

 Com aparente receio de perder seu milionário médico credenciado, Rozi deu a entender que gostaria de ver a questão sendo abafada no legislativo municipal. ACOMPANHE!

 E agora?

 Rozi Terezinha de Souza diz que solicitou a abertura de um novo processo seletivo na tentativa de contornar a falta de especialistas nos postos de saúde do município de Taió.

 A secretária pediu aos vereadores rapidez na tramitação do projeto de lei que prevê aumento salarial dos médicos. O valor deverá subir de quase R$ 15 mil para R$ 19 mil, salário “compatível com a região” e que seria mais atraente a novos interessados.

 A pergunta é: agora que o caso do faturamento milionário do médico credenciado veio à tona, vai dar certo?

 Haverá candidatos interessados em buscar aprovação em um processo seletivo para ganhar menos?

 E se até mesmo os demais profissionais efetivos resolvessem desistir do cargo alcançado por concurso para também prestar serviços na forma de credenciamento a fim de poder faturar muito mais?

 Fotomontagem de Capa: Alto Vale Agora

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