A Civil instaurou inquérito. Tragédia revelou uso particular indevido do campo de aviação, que é custeado por consórcio de todas as prefeituras do Alto Vale.
Após o arrancadão de carro em plena pista do Aeroporto Helmuth Baumgarten matar os dois ocupantes que afundaram com o veículo Jetta no rio Itajaí-Açu, a assessoria da Anac, em Brasília (DF), emitiu manifestação sobre o grave “incidente automobilístico ocorrido no terminal” na noite do sábado (27/05), no bairro Bandeirantes, em Lontras (SC).
De acordo com nota respondida ao portal Alto Vale Agora, “a informação foi repassada à área técnica responsável pela fiscalização para conhecimento e análise de providências cabíveis no escopo das atribuições da Agência” Nacional de Aviação Civil (Anac).
O comunicado, no final da tarde de quinta-feira (1), dizia que não constava, “até o momento, restrição operacional ou medida cautelar aplicada ao terminal”, uma vez que a entidade está estudando sua reação oficial frente ao caso estarrecedor. Portanto, a adoção de medidas administrativas está longe de ser descartada.
Paralelamente, “as devidas investigações em âmbito penal estão sendo conduzidas pelas autoridades competentes – no caso, Polícia Federal e Polícia Militar”, finaliza a nota em nome de Luiz Flávio Assis Moura, da Gerência Técnica de Relações com a Imprensa (GTRI/ASCOM) da Anac.

Imagem aérea mostra pista do aeroporto junto a rio onde carro afundou no acidente em Lontras, segundo relatos repassados por testemunhas. (Foto: “Rômulo”, Redes Sociais/Arquivo)
De um lado, sigilo; de outro, acobertamento
O inquérito policial instaurado para apurar as circunstâncias que resultaram nas mortes tem ar de mistério.
Ainda na semana passada, a delegada Andréia dos Santos Dornelles, que também responde temporariamente pela Delegacia de Delitos de Trânsito (DDT), disse que a apuração depende, inclusive, dos laudos cadavéricos. Ela tinha poucos dados sobre o caso no momento do nosso contato.
Já o agente da Polícia Civil em Lontras, Júlio César Fernandes, confirmou a realização de perícias no local do acidente e no automóvel, além da condução de oitivas, cujo número não precisou.
Ao ser procurado pela nossa equipe na última segunda (5), ele disse ainda que não poderia prestar outras informações sobre a investigação em andamento que, não se sabe, se incluirá a análise de possíveis imagens de câmaras de segurança do local.

Aeroclube em Lontras: nas redes sociais, agremiação de empresários já chegou a ostentar carne na brasa dentro do aeroporto. (Foto: Aeroclube de Planadores de Rio do Sul/Facebook/Arquivo)
Estranhamente, a mídia comercial, por sua vez, demonstrou encobrir o caso. Conforme já noticiamos, reportagens de TV tentaram fazer acreditar que o acidente ocorreu em uma estrada de chão fora do aeroporto.
Porém, a surreal e lamentável ‘corrida para a morte’ foi detalhada pelo Alto Vale Agora, que é uma mídia independente.
Segundo testemunhas relataram aos bombeiros e conforme também consta no boletim da PM, o arrancadão partiu da pista asfáltica do aeródromo, acessada indevidamente pelo veículo particular durante uma comemoração no Aeroclube de Planadores, entidade instalada dentro do Helmuth Baumgarten (veja links ao final).
Uma fonte contou que as pessoas que estavam na festa buscam evitar que seus nomes sejam associados ao evento fatídico – que expôs a utilização irregular do local.

Trecho do boletim oficial repassado pela PM relaciona acidente fatal ao campo de aviação. (Captura de Tela: Whatsapp)
O “aeródromo público” está sob responsabilidade direta da prefeitura de Rio do Sul, município vizinho.
Apesar de o executivo municipal rio-sulense também ter implantado o consórcio do Aeroporto Regional Alto Vale, que há quase um ano recebe contribuições financeiras de todos as prefeituras da região, nenhuma nota sobre a assustadora falha de segurança foi divulgada.
As vítimas do acidente foram: o “empresário” e piloto Bruno Bittencourt Dalfovo, de 40 anos, e o advogado Daniel Beringhs Kirchner, de 42.
