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Prefeitura de Santa Terezinha é incompetente para realizar sozinha a Festa do Mel?

Genir Junckes (MDB) cancelou evento deste ano. Para fazer a festa em 2022, prefeito pagou alto subsídio à empresa terceirizada – que teve o direito de embolsar todos os lucros.

Por Redação

9 de agosto de 2023

às 16:25

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Levantando dúvidas sobre suas capacidades, a prefeitura de Santa Terezinha (SC) anunciou que não realizará a tradicional Festa Regional do Mel em 2023.

A decisão do prefeito Genir Antônio Junckes (MDB) surge após a polêmica envolvendo o evento promovido em setembro do ano passado no município do Alto Vale.

Na época, noticiamos: “Prefeitura dá ‘ajudinha’ de quase R$ 180 mil à terceirizada que ainda embolsará todo lucro da Festa do Mel”.

Contatado pela nossa equipe após a festividade, Junckes jamais forneceu a prestação de contas da 14ª edição solicitada pelo portal Alto Vale Agora.

Entretanto, ao comunicar, dias atrás, à mídia comercial, o cancelamento para este ano, o prefeito acabou revelando que a festa de 2022 custou ainda mais caro aos cofres públicos: R$ 250 mil. Ou seja, cerca de 40% acima do previsto.

“Teve muitas despesas fora do contrato, sem contar a equipe da prefeitura trabalhando várias semanas para alinhar tudo no parque” Mata Nativa, justificou o político na nota publicada por um site da região.

Portanto, o valor passa a ser três vezes e meia superior aos R$ 69,9 mil gastos com outra empresa licitada no ano de 2019, e doze vezes mais alto que os R$ 20 mil consumidos em 2018. 

Para tentar fugir de críticas por conta do cancelamento da Festa do Mel, Genir Junckes não teve outra saída: apelou para o discurso do caixa mais magro, o mesmo que esgaçou para tirar a gorda contrapartida que deu à DCX Eventos, de Indaial (SC), no ano passado.

“A nossa arrecadação no primeiro semestre desse ano aumentou apenas 1% e o previsto era de 8%”, alegou.

Para 2023, só mesmo “uma pequena festiva em comemoração ao aniversário“do município, diz o prefeito.

Agora, a prioridade seriam “estradas”, “agricultura” e “melhorias” na cidade, acrescentou Genir – em sua aparente nova visão de mundo em ano pré-eleitoral. 

Em 2022, prefeito Genir Junckes e realeza divulgaram Festa do Mel na Alesc, em Florianópolis. (Foto: Rodolfo Espínola/Agência AL/Arquivo)

‘Negócio da China’

A terceirização de festas municipais virou uma verdadeira ‘febre’ nas prefeituras do Alto Vale nos últimos anos. Em geral, com subsídios cada vez maiores saindo dos cofres públicos em favor das empresas contratadas – livres, leves e soltas para abocanhar sozinhas os apetitosos lucros.

Em Rio do Sul, por exemplo, a prefeitura acertou o repasse de R$ 1,15 milhão à Lisboa Eventos Eireli, sediada em Palhoça (SC), para a realização, em abril, da Agrovale 2023.

O valor é quase cinco vezes maior que o gasto em 2019. Com um dia a menos, a edição de 2022 da Expofeira Agrícola do Alto Vale custou R$ 600 mil, cerca da metade da despesa gerada este ano.

Apesar da contrapartida milionária em 2023, a terceirizada também ganhou o direito de ficar com todos os ganhos do evento.

Já em Rio do Oeste, a 21ª Festa Estadual da Polenta deu gastos de R$ 507,3 mil, segundo os dados oficiais do Portal da Transparência. O maior custo foi com a contratação da E3 Eventos Ltda, de Pouso Redondo (SC).

Após a Fepol ter distraído o povo por três dias em meados de julho, agora, a Câmara Municipal promete cobrar a prestação de contas para saber, inclusive, qual foi o ‘custo-benefício’ da terceirização.

À esquerda, Fepol, de Rio do Oeste. À direita, AgroVale, de Rio do Sul. (Fotomontagem: Alto Vale Agora/Reprodução)

Incompetência?

No caso de Santa Terezinha, o cancelamento da Festa do Mel levanta questionamentos.

O real motivo não seriam as críticas por conta do dinheiro público torrado em demasia na edição do ano passado? Ou Genir – quando diz, “ano que vem, se tudo der certo, vamos fazer a 15ª edição da nossa festa” –, já calcula que poderia criar um clima favorável com a volta do evento em ano de eleições municipais?

A propósito, o executivo terezinhense seria incompetente para realizar um evento menor, menos ambicioso – e mais em conta – para manter as tradições culturais?

Por que não realizar uma festa voltada diretamente aos munícipes? A prefeitura não teria a capacidade de atrair parcerias de investimentos com a iniciativa privada local?

Aliás, quantas festas do mel comunitárias daria para fazer com R$ 250 mil?

Afinal, é aceitável dar ‘pão e circo’ ao povo através dessa modalidade de contratação? É um bom negócio conceder alto custeio a empresas terceirizadas, deixando-as com todos os lucros?

Já que ninguém pergunta: por que o balanço financeiro desses eventos costuma não ser apresentado aos contribuintes em rádios e TVs ‘sob contrato’?

Diga: seria maldade imaginar que, bancados com verba pública, festas promovidas por terceiros poderiam estar sendo usadas para desviar dinheiro?

O que pensam sobre isso os vereadores de Santa Terezinha, além dos fiscalizadores eleitos das Câmaras Municipais de Rio do Sul e de Rio do Oeste?

E o Ministério Público, estaria atento para prevenir o risco de eventuais ‘surpresas desagradáveis’?

Democraticamente, nosso espaço permanece aberto para eventuais manifestações.

Vereadores de Santa Terezinha. (Captura de Tela: Site/Câmara Municipal)

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